Entre eu e o vazio

O ser labiríntico e multifacetado constitui o eixo central da obra.
Orientando-se pela sensação física, os intérpretes exploram diferentes estados de ser, mergulhando no universo do romance de Murakami.
Territórios e situações são criados, enquanto arquétipos, extraídos do livro e desprovidos de preocupação com o género, servem como pontos de partida para que cada intérprete encontre o seu próprio motor de movimento, dança e vivência.
A peça evita a narrativa linear, permitindo que as mentes dos criadores e dos intérpretes viajassem pelas temáticas do absurdo, da magia, do poder, dos desejos e das forças telúricas. O foco reside no fluxo da experiência, nos estados corporais e na poesia que emerge do movimento.
Sempre atentos às correntes que atravessam os próprios corpos, os bailarinos buscam incessantemente a poesia do movimento. Assim, a obra constrói-se como um território de experimentação, onde o “EU” encontra a sua expressão no contínuo diálogo entre transformação e permanência.”